terça-feira, 30 de setembro de 2008


Os Deuses Devem Estar Loucos



SINOPSE :Uma garrafa de Coca-Cola vazia cai "miraculosamente" do céu e vira de pernas para o ar a vida pacata de uma tribo africana... que encara a caricata situação como um "presente dos deuses"!
Tendo causado sensação internacionalmente, "Os Deuses Devem estar Loucos", é uma das comédias mais originais e provocantes de sempre.
Protagonizado por um indígena de uma tribo africana na vida real, é um filme que nos vê doutra perspectiva - e nos mostra o quão loucos somos!

REALIZADOR: Jamie Uys

INTÉRPRETES: Marius Weyers, Sandra Prinsloo, N!xau, Louw Verwey, Michael Thys, Nic De Jager, Fanyana H. Sidumo, Joe Seakatsie, Brian O'Shaughnessy, Vera Blacker, Ken Gampu, Paddy O'Byrne, Jamie Uys.

Ano de Lançamento(Botsuana/África do Sul): 1989

Curiosidades sobre o filme:
‘Os Deuses Devem Estar Loucos’ é uma comédia simples e absurda; que levou quatro anos para ser lançada nos Estados Unidos, mas quando foi, marcou um recorde de bilheteria apresentando um roteiro um tanto sui generis. Indubitavelmente é uma boa comédia, que foi produzida com um baixo orçamento, assim como tantas outras. O seu diferencial está no absurdo de nos fazer rir de nós mesmos; não por palhaçadas impossíveis, mas exatamente por mostras situações inéditas. Não sei se a metáfora de Jamie Uys surpreendeu ou atingiu os objetivos, a questão é que o filme foi aclamado, repudiado (tendo sido banido de Trinidad e Tobago por ser considerado racista) e virar objeto para vários estudos sociais e antropológicos.Como uma simples comédia africana, que tem como protagonista um autêntico bosquímano (que nunca tinha tido contato com a civilização moderna e nunca tinha praticado nenhum tipo de representação, nem na sua cultura), um orçamento baixo e pouquíssima divulgação pode criar tamanha repercussão? O motivo foi a sagacidade de Uys ao mostrar o ‘desenvolvimento’ e a tentativa do homem que, em vez de simplificar a sua vida, só a torna mais complexa, obrigando-o a reinventar-se. E, no lugar de mostrar o drama do nosso dia a dia, faz comédia através dos olhos ingênuos de quem conhece realmente a simplicidade.O filme começa no deserto do Kalahari, no Botswana, junto à África do Sul, numa pacata e semidesértica paisagem, coberta por uma vegetação arbórea esparsa, mostrando uma cena da vida quotidiana de um grupo de bosquímanos; um povo que vive (ou vivia na época do filme) alheio ao estilo de vida do homem moderno. Tudo calmo e tranqüilo até Xixo achar uma garrafa de Coca-Cola (das antigas e tradicionais de vidro). Curiosos sobre o item e incapazes de compreender o seu surgimento, o povo que nunca tinha visto semelhante material, consideraram que o mesmo foi enviado pelos Deuses. Como no ditado de ‘na terra de cego quem tem um olho é rei’, o mesmo ocorreu entre os bosquímanos que, por não terem nada, desconheciam o sentimento de inveja e posse. Um sentimento trazido junto com o presente dos Deus que todos queriam ter, disseminando assim a discórdia entre o grupo. De uma maneira lógica e simples Xixo decreta que o presente dos Deuses foi na verdade um descuido e que na verdade é uma ‘coisa má’ que deve ser devolvida (pois os Deuses não enviariam uma coisa para trazer infelicidade). Começa assim a saga do ingênuo bosquímano que procura o fim do mundo para devolver a ‘coisa má’.No decorrer do filme vamos acompanhando as cenas bobas da comédia e nos encantando pela figura pitoresca de Xixo, com sua linguagem cheia de ‘cliques’, suas interpretações simples, sua ingenuidade e seu eterno sorriso. Uma revolução e Xixo sorrindo e o que era para ser uma simples comédia, acaba se tornando um laboratório em tempo real de como olhamos o mundo do nosso ponto de vista, exatamente como bosquímano. Partimos dos nossos conhecimentos e preceitos para atribuir aos fatos seus significados de acordo com o que nós achamos apropriado, mesmo que a nossa interpretação esteja, de fato, completamente equivocada (como o significado do valor do dinheiro). Rimos de nós mesmos sem percebermos a quantidade de símbolos que o filme possui. O absurdo de querer ir ao fim do mundo devolver a ‘coisa má’ não é lógico, mas quando entendemos a quantidade de coisas que surgem em nossa vida, transformando-a e nos levando a desejar seu desaparecimento ou nossa incompreensão diante de sua existência, compreendemos que a garrafa do filme é uma analogia, um símbolo a tudo que é novo em nosso caminho que desestabiliza a nossa harmonia ou que nos obriga a nos adaptarmos. Numa forma expressa, clara e tênue, Uys mostra muito do que somos. Tanto quando percebemos os fatos pela nossa ótica, como a dificuldade de absorver a diversidade cultural, como problemas constantes e presentes em cada cultura.ConclusãoSe você já viu o filme; está na hora de vê-lo com outros olhos.




Críticas e opiniões:
"Uma comédia inesquecível, um filme que traz uma das melhores aventuras na África."

"Este filme é uma daquelas comédias que você assiste uma parte do filme e depois tem que pausar um pouco para recuperar o fôlego. Ótimo."

"Um elenco sem grandes nomes, porém brilhantes."






Sem comentários: